Crochê.



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Sim, eu posso construir coisas. Imagino, planejo, trabalho os pontos, vejo o resultado se materializar. As pessoas gostam das coisas que eu faço. Ficam espantadas com a desenvoltura com que trato as linhas, monto os gráficos, prego miçangas, contas e paetês brilhantes. O resultado nem sempre é estupendo, mas como faço crochê desde criança, às vezes os trabalhos ficam realmente muito bons, sem falsa modéstia, e eu gosto deles. Eles me ocupam e esvaziam a mente. Crochetando eu anulo todo o resto e tenho a sensação terápica e rara de construir.


A vida é tão somente isso: tecer. Esperar que se alcance o melhor resultado. Esconder as emendas das linhas no avesso do trabalho porque os nós, e os defeitos, não causam uma boa impressão aos outros - ninguém gosta de coisas que foram emendadas apenas pelo ônus da continuidade. É um trabalho de recuperar a paciência perdida, aceitando que ainda há muito que se fazer até que a peça esteja pronta em suas mãos, e até que você possa mostrar aos outros, com orgulho, a sua finalização.


Às vezes a linha embola. Às vezes a agulha escapa da mão e mergulha sozinha no piso da sala, como se recusasse sua função de trabalhar os pontos. Aí eu retomo, estou no comando. Quase o fim da carreira de pontos altos, e é bom demais chegar lá na beirada, dobrar a esquina da peça. O recomeço às vezes é em ponto baixo, ponto alto, ponto baixo. O tempo todo assim, na vida e nas peças de crochê. O trabalho em ponto baixo não rende, mas mesmo ele, de ponto em ponto cresce também, com mais dificuldade, é verdade. E mais demora.



Ponto alto do dia de hoje: crochetar e esquecer as preocupações.
Ponto baixo do dia de hoje: preocupações que voltam assim que eu largo o novelo de linha.


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Eleições 2008... uêba!



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Eleição em vista é sempre um período lúdico em minha pacata existência. É um negócio tão decadente e descabido que eu me detenho a rir – é o que me resta - do que eles chamam de engajamento da massa popular, democracia, cidadania e todas essas -ias sem fim. O alimento para meus acessos de riso pelo menos está garantido, neste período festivo de congraçamento. O curioso é que as informações risíveis estão sempre nas páginas oficiais – ou seja – não é humor, é Eleição, por incrível que pareça.


O que eu gosto mesmo são os cãodidatos. Fico sempre impressionada com suas alcunhas e seus discursos, os fenomenais slogans e jingles de campanha. Neste ano feliz, por exemplo, há trocentos e não sei quantos malucos espalhados pelo Brasil afora concorrendo às vagas. Vereadores então, estes costumam ser os mais engraçados do pedaço. Pouca grana para campanha os faz verdadeiros mártires, e alguma coisa eles têm que bolar para sobressair entre os demais, e como geralmente erram na mão, o meu contentamento é supremo. Naquelas localidades Deus-me-livre-e-guarde, há criaturas dignas de respeito. Porque não basta ser candidato, tem que vir com um apelidinho simpático, revelador, identificador. É assim que surgem as alcunhas mais estapafúrdias do mundo, e é nesse momento que eu dava tudo pra morar nessas cidades. Dizem que essas alcunhas aparecem na urna quando se digita o número do candidato. Até que eu conseguisse parar de rir para configurar o voto, levaria um tempo considerável. Tempo alegre. E é isso que eu quero em minha vida. rs.


Consegui decifrar o processo de criação que envolve essas alcunhas tão belas. Tudo tem um foco. Alguns cãodidatos resolvem apelar para a meiguice e escolhem um apelido fofinho. É o caso do Pintinho – PRTB; o Rozico, o Tatico, o Titico, a Gilda Nogueira, a “Amor”, e o que dizer do ilustre Carlos Alberto Januário da Silva - PHS, o popular Chú? Gente, quem não votaria no Chú? Fofo demais, uma Hello Kitty pra ele agora. Outro processo para se criar alcunhas passa pela composição de nome + de/da + elemento identificador. Para este caso temos o Marcão da Caçamba, o Pintinho do Matadouro, o Neném do Boi, o Naná do Rojão, a Nice da Reforma e o Nino do Micro-ônibus. Simples e prático. Há também os que apelam para o estômago dos eleitores, procurando trazer-lhes lembranças degustativas felizes. Aí temos o Sr. Antônio Alberto, o querido Toinho Pastel, o Fabinho do leite, outro Antônio, o Três Côco (sim, no singular mesmo), e o Zé mamão, ótimo para prisão de ventre. Deu até fome agora.


Alguns são tão escabrosos que me fogem ao raciocínio, mas isto se deve apenas a minha total incapacidade de penetrar em seus mundos tão particulares. O Edmilson Casa Véia, por exemplo. E a tal “Vânia, filha do Vavá do Bode”? É difícil minha gente. Carlos Armando, por exemplo, é o Carlinho do pelado – PSB. Deve ter seu significado, deve ter. Outros queridos ilustres, sabedouros de que sua campanha irá para o brejo, aproveitam a oportunidade dos holofotes para divulgar seus pequenos comércios, um jabazinho básico. Este é o caso da Dulcicleide - PTN, a Kekeu Fotos; o José Edson, Baixinho da Eletrônica ou o José Remilson, o Pelé da Parabólica. E há muitos outros, e como há, é que eu não tive tanta paciência assim pra procurar. Temos ainda a presença de vários bichinhos, o Pingüim, o Paca, e até o Totó, Antônio Rodrigues Félix – PSDB. Só pra finalizar o quadro de esquisitices, alguns nomes duvidosos. Veja bem se você votaria em Cristiano Oliveira, a famosa Kika? Ou o Alex Sandro, a Karol Furacão? Esses nomes realmente passam credibilidade.

Breve eu recolho outros mais. A lista é grande meus caros, preciso de tempo hábil para analisá-la com a acuidade que ela merece. Essa lista do TSE é um manancial. Rs.






 

a renegada.



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O Tipos sempre cagou pros meus anseios. Também né, quer ter anseios vá pra outro lugar, caráio. Mesmo assim, conto a vocês o meu causo: desde que aqui comecei a colocar os meus caracteres, sempre quis mudar meu layout. Já fiz diversas perguntas perdidas por aí e nenhuma resposta contundente. Eu e o Blérgh não queremos ter essa cara monótona todo o tempo, esse ar blasé, sem sal, sem luxo, eu tô no SUS dos blogs, meu povo. Convenhamos, essa vista pobrinha não combina nem com o título, que dirá com o resto deste espaço. Consegui cavar de alguém que estava em implantação uma tal de Layout Machine, que até agora não rolou. Alguém sabe me dar qualquer informação neste sentido? Como vocês podem observar, aparência é um negócio que eu prezo. E mudo o tempo inteiro também.


Outra cagada torrencial foi a minha tentativa de inclusão de meus banners no Tipos Sortidos. Ninguém me deu a menor pelota. Postei lá no outdooronline, mandei e-mail educadinho pro Moraes [que se escafedeu, acho eu] e nenhum sucesso. Claro que meus banners não são o primor da criação artística, mas ora bolas, eu me sinto renegada em não ter esse espaço de 400 por 130 px. Eu quero. Eu também faço parte dessa coisa toda. Quem é o patrão disso aqui, afinal? Seja lá quem for, piedade e comiseração, sou uma tipiana sempre presente, tenho o meu valor [afe, ficou horrível isso, simata Estela]. Eu rezo todo dia pra São Cipriano, um dia ainda abro o Tipos e dou de cara com um banner meu, nem que seja em 2050.


E como meus banners nunca saíram do anonimato, nem da caixa de e-mails do Moraes, ficam eles aqui sob protesto, que eu tô pura rebeldia rock’n’roll hoje. Quero saber onde é o SAC do Tipos, e se vier moça de telemarketing eu mato, tô descontrol. Pronto, protestei.




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Policiais sem fuzis



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Ah sim. Fui acordada hoje pela notícia de que a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro decidiu tirar das mãos dos policiais os seus fuzis. E trocá-los por carabinas. Levando-se em conta que um fuzil causa estrago em média até a distância de dois quilômetros do alvo, e a carabina à 400m, fica mais difícil do policial matar alguém sem saber quem é, a não ser que ele seja bem míope.


Acho isso de uma lindeza ímpar. Principalmente pelo fato de que os fuzis serão extintos das ruas, mas poderão ainda ser usados em operações nas áreas de risco. E se eles, da Secretaria de Segurança, assumem com esta determinação que há policiais despreparados para portar tais armamentos – por isso mudam o poder de alcance do estrago – permitem ao mesmo tempo que tais policiais usem à vontade seu armamento nas áreas críticas, ou seja, que se foda quem mora na favela, pode tomar de fuzil à vontade. Grandes merda se morrer um ou três, depois escrevem lá no jornal que o morto era do tráfico, mesmo se não fosse, só pra ficar bunitinho.


Treinar os caras para usar tais armas? Treinar os caras com táticas dignas e prudentes em suas operações? Aí não, disso ninguém fala. A bala perdida não pode acontecer em Ipanema, no asfalto dos turistas e da classe privilegiada, mas pode tranquilamente varar o barraco do cidadão no Complexo do Alemão. Acho um barato esse raciocínio.








 

Um texto para mim.



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Lembro como se fosse hoje. Estava eu na primeira fila do Canecão, num show que eu não sei mais se era Zélia Duncan ou Calcanhotto, e era fim de show. Alguém encostou, pedindo passagem, bem perto do palco. Olhei para trás e não vi ninguém, abaixei os olhos e vi-o, educado, olhos com expressão de cansaço. Era o Herbert, o Vianna. Aquele, dos meus vinis de tanto tempo empoeirados.


Pode ser este assunto datado para um texto, mas o fato é que ele continua impressionando a muitos por aí. Lembro que eu rezava, enquanto ouvia as notícias no rádio e acompanhava a tragédia que o assolou, e pelos andares sentia um infinito pesar, parecia claro que nem eu, nem o Brasil, teríamos mais ele compondo, ou cantando, ou mesmo vivo. Graças a Deus ele ainda canta, ainda compõe, ainda vive.


Todo o dinheiro do mundo para tratamentos? Uma força de vontade tamanho Highlander? Um amor à arte que suplantou o improvável? Uma memória emocional que trouxe de volta as letras todas? Até hoje eu me pergunto o que aconteceu afinal. O fato é que ele continua, e vendo-o no palco pode-se comprovar o quanto ele ainda é inteiro, mais que eu e que muitos, contrariando todos os nefastos prognósticos. Uma mente brilhante que trabalha com limitações extremas, e continua juntando palavras e acordes, para nossa estupefação.


Mesmo para quem não é chegado à obra do Herbert, ou do Paralamas, há que se perceber a grandeza do que aconteceu com ele. Era tudo para dar errado, era uma vida de vegetal quase 100% consumada. E quantos de nós ainda não vivemos vagando por aí no mundo, feito vegetais, sem ter sofrido acidente algum. Ele preferiu fazer a fotossíntese, reinventar a vida à dar-lhe cabo, e sua seiva está aí, elaborada para nós. Sei que estou já nos limiares da pieguice, mas perdoem, é próprio de fã. Fiz questão de registrar isso aqui hoje mais por mim que pelo Herbert, para sentir nas vísceras o quanto eu não tenho motivos pra reclamar da vida. Não é coerente que ele seja tão gigante, tendo vivido tudo o que viveu, e eu tão mísera, lamentando a morte da bezerra e achando os meus problemas enormes. Hoje eu ando e me arrasto sobre o tempo. Ele anda sobre rodas, e flutua.








 

é, um pouco deprê.



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For how much longer can I howl into this wind?
For how much longer
Can I cry like this?
A thousand wasted hours a day
Just to feel my heart for a second
A thousand hours just thrown away
Just to feel my heart for a second
For how much longer can I howl into this wind?




Ramal Santa Cruz, Rio de Janeiro, vagão de trem. Em pé, com dor em todos os poros existentes. A face da desolação era visível, pois bem sei que não consigo fingir felicidade quando necessário. Uma lágrima que rola tão clara, imensa, cai de 1,74m de altura, cuja trajetória foi percebida por um passageiro que estava sentado. Por comiseração, acho eu, ele me oferece o seu lugar e eu aceito, para que então eu passe a derramar as próximas em meu próprio colo, ao invés de regar os que estão sentados.


Sempre aparece quem fale de Deus, e foi o que fez o passageiro gentil. Eu sei de Deus, eu ando com ele, entretanto, lágrimas são presentes e serão sempre, em qualquer lugar que eu quiser que elas caiam. E neste caso elas têm uma infinidade de motivos para cair, nada que não tenha solução, mas motivos reais. Acho que seria prudente aprender a guardá-las para evitar os olhares de pena do público? Não. Fico pensando às vezes o que acham de mim as pessoas que me olham enquanto choro, não que eu me preocupe com o que pensem. Quando vejo suas caretas ao meu encontro procurando decifrar o motivo das lágrimas – acho que todos fazem isso quando vêem alguém chorando – eu vejo que choro, independente do que imaginem ou suponham estar acontecendo.


Algumas lágrimas depois, ritual de recomposição do que restou. Olhos inchados, posso vê-los no espelho do blush. E todos acompanham meus gestos no trem, gostam de acompanhar as minhas esquisitices, é impressionante. Uma camada de pó compacto, o blush amigo, dois traços de lápis de olho, batom e voilá, tudo quase de volta ao lugar. É chegada a estação Central do Brasil e mais um dia de trabalho me espera. Na mente a certeza de que os cosméticos podem tratar e tentar tornar apresentável o externo, tarefa fácil, pena é que não possam amenizar também o que vai por dentro. Se eu pudesse, passaria um batom vermelho carmim no coração, colocaria-lhe um salto alto e mandaria pra balada, ver gente, oxigenar, bombear sangue novo rejuvenecedor. Mas não posso nada disso. O coração hoje é um velho, ranzinza, de pantufas, assistindo Sessão da Tarde e esperando a hora de parar.





 

Robozinho, eu?



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Muito frequentemente tenho percepções estranhas com relação ao tempo. Incomoda ter que gastá-lo com tanta coisa mecânica e sem sal, a eterna sensação de tê-lo perdido, definitivamente. Esse milionésimo de segundo aqui, por exemplo, foi-se para sempre, para a terra das horas já carcomidas. E outros milionésimos estão indo também para lá, agora mesmo, de novo. E eu penso que queria tê-los utilizado de maneira mais sábia - não no caso desses aqui, pois tempo gasto com escrita é 100% de aproveitamento – queria lembrar deles lá na frente como milionésimos de segundos felizes e bem aproveitados, e não com essa idéia de desperdício que tenho em mente. É tanta coisa que se esvai com eles, que me sinto quase sempre perdendo nessa matemática.


Sei da necessidade de tarefas mecânicas. Sei que é preciso trabalhar e prover sustento. Só que estou sempre sabotando esses processos, todos os dias. Há horas em que eu quero ler Rimbaud, numa urgência severa, e entre as coisas chatas que eu tenho que fazer no trabalho e o poético, estou sempre tendendo a abortar as coisas chatas, mesmo as indispensáveis. Faço-as com desdém, sempre de forma muito rápida e objetiva, para que sobrem milionésimos a serem gastos no que realmente me interessa. E é nessa hora que eu acho aquele texto foda, que me traz tudo que eu estava procurando ler, saber, entender, e então eu aproveito o tempo milimetricamente, com alimento para a alma. E lá no finzinho do expediente eu faço aquele bando de coisa chata que tinha de ser feito. Rs.


Definitivamente eu não nasci para o burocrático. Há tanto além do quadrado do escritório, tanta vida por todo lado, que me recuso a ficar encarcerada, engaiolada. Vejo as pessoas nas ruas em sua pressa costumeira, passando por cima de tudo e acho muito absurdo que um relógio ou mesmo o dinheiro roube delas a possibilidade de frear essa maluquice toda. Correr para mim não é aproveitar nada. Eu, com o passar dos anos, venho desenvolvendo uma técnica maravilhosa de não-corrida. Quando estou atrasada, aí mesmo é que me recuso a correr. E vou na moita, aceitando que estou fora do horário e que isso não é tão fatal assim, e que não vão lançar outra bomba sobre Hiroshima porque eu cheguei meia hora depois do previsto. Eu tenho louvado regularmente a vagareza, no mais alto estilo vagabundagem. Eu não acredito que nós fomos colocados aqui embaixo para viver correndo, de fast food em fast food. Deve haver algum lugar em que se possa sorrir mais, aproveitar mais... Tem que haver um jeito de tudo não ser assim tão pateticamente mecânico.


É por isso que eu me recuso a aceitar, terminantemente. Quero burlar isso tudo, quero a contemplação como objetivo de vida. E sempre que eu consigo, os milionésimos de segundo são plenamente vividos, posso olhar para eles com o orgulho de quem não aceita ser robô de nada, nem escrava de nenhum papel moeda. Pena mesmo é que não seja possível praticar a letargia todo o tempo. Pena esse atropelo, pena essa falta de, parar tudo, simplesmente. Pena que as pessoas vivam em suas bolhas particulares, e que não olhem para o lado vez em quando. Eu ainda olho.



 

Nome Próprio



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Eu nunca fiz isso, sugerir filme ou música pra ninguém. Só que esse é um caso particular. Uma das mais excelentes atuações da linda Leandra Leal, que eu pegava, e como pegava. E não é só isso! O filme retrata a história da problemática Camila – Clara Averbuck, na verdade – em sua quase sádica tentativa de escrever o seu primeiro livro, viver das Letras, e suas peripécias blogueiras. Para quem tem o hábito da escrita vai ser um deleite, traz bem aquela coisa da inspiração que surge, urgente, do exercício de procurar as palavras como quem procura a salvação do mundo.

Ela passa 80% do filme nua, mas nem é esse o maior atrativo. Os relacionamentos dela com os caras, e com uma amiga, também são fielmente retratados, cenas chocantes, sexo do bom, nem sei como eu saí inteira daquela sala de cinema (rs). É daqueles que rendem horrores quando se chega só, em casa. É difícil ver um filme com tão poucos personagens ser tão completo como esse.
Enfim, tudo belíssimo e vale muito à pena, vejam.





 

A quase não-paquerável



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Plena semana do fatídico dia dos namorildos, excelente oportunidade para se reavaliar – solteiros ou não – o nosso potencial de atrair atenção dos outros em ambientes públicos e situações cotidianas. É triste concluir, mas se eu dependesse exclusivamente do meu poder de sedução falido para atrair alguém para minhas teias, estaria seguramente fadada ao celibato. Não que eu não seja olhada, observada, seguida por pares de olhos alheios, até devo ser, em alguns momentos, o problema mesmo é a minha total desatenção aos sinais de paquera, mesmo aquelas muito embaixo do meu nariz, e uma falta de talento natural para responder à investidas. Investir então, esquece.


Deve ser por isso então que eu não passo por 90% das situações constrangedoras que ouço por aí. Nunca recebi telefonemas de admiradores (as) secretos (as), porque eu nunca dou meu número para ninguém. Não tenho que despachar pretendentes malas, pois sequer permito aproximações. Não preciso fingir que não conheço, ou inventar roupas diferentes para despistar pretendentes em encontros públicos, porque também não me lembro de ter marcado nada nesse sentido até hoje. Vantagens óbvias de quem é quase uma muralha no que tange às outras pessoas, entretanto, perde-se oportunidades de ouro (perde-se?) com esse retraimento todo. O pouco que me lembro da prática de paquerar vem dos idos de minha adolescência, época em que eu tinha muito menos juízo na cabeça e era mais saidinha também, ou seja, faz lá alguns bons amargos anos.


Quem lê pode então concluir que eu sair de alguma situação de encalhe é algo pouco provável. Na verdade eu nunca me senti assim, 100% encalhe, porque eu lido de forma bastante natural com a solteirice. Jamais saio à caça, deixo apenas que as coisas fluam, quando me parecem adequadas/proveitosas. Felizmente foram raros os meus períodos de vacas magras, sempre há uma boa carta na manga, algo que eu quero viver ainda ou alguém que pretendo conhecer melhor. É tudo uma mera questão de saber identificar cenários, há coisas que têm maior probabilidade de darem certo e outras que são barcas furadas, mas no geral é ir em frente, e de preferência sem precisar depender daquela piscada de olhos cafona na mesa do bar, correndo o sério risco de um toco monumental, já que eu tenho pouco talento para este negócio. Pelo menos essa é a minha técnica.


Sexta passada, entretanto, fui abordada por uma criatura. Ele veio até mim no ponto final do meu ônibus, local pouco convencional para essas práticas, com um papo estranho, que eu confesso ter entendido pouca coisa e fez coisas inéditas: cantou-me descaradamente sem ao menos nunca ter me visto na vida, sorriu, foi simpático e, sobretudo, cara de madeira sênior. Pediu o número do meu celular, eu disse que não tinha. Pediu-me uma caneta para anotar o número dele, eu disse que também não tinha, super solícita, como sempre. Ele correu desesperado para uma banquinha de doces próxima, a fim de conseguir uma bic, anotou o seu telefone num papelzinho e entregou-me sorrindo. A justificativa é que foi genial. Disse ele que trabalha muito, que não tem tempo de conhecer ninguém. Que era para eu ligar para “fazer alguma coisa”. Oras, mas eu já faço várias coisas... Penso eu: a que ponto chega a solidão humana? Abordar uma moça num ponto final de ônibus urbano com essa conversa? Em plena sexta-feira? Uma semana antes do Dia dos Namorados? O moço está mesmo em desespero de causa. Se alguma moça aqui que me lê quiser fazer caridade, eu juro que forneço o número do moço. Djalma é o nome dele. [rs]

Feliz Dia dos Namorados a todos!!! :)




 

Mordiscando a neo-solteirice



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Não sei se é de conhecimento público, talvez ainda não, mas Estela é a mais nova solteira do Rio de Janeiro. Fiquei na casa, com muita coisa da casa, sem cama, sem tv, com a gatinha Lua, claro, meus duzentos e cinquenta medos e alguma solidão esporádica. É idiotice, mas eu penso em não conseguir dar conta de tudo sozinha, dos inúmeros pequenos e grandes afazeres, de gerir o conjunto de maneira satisfatória. Uma insegurança que beira a patetice, afinal, posso não me tornar uma excelente faz-tudo, mas viver do meu jeito eu hei de conseguir, mesmo que seja com aquele pó insistente na estante da sala, esperando pelo espanador que raramente dará o ar da graça, porque a vida é muito mais do que isso, hehehe.


Chato mesmo é ter que comprar tudo. Os solteiros poderiam ter disponível para venda um kit de sobrevivência com tudo que a gente tem que sair comprando por aí, desde as hastes flexíveis da Johnson, o pão francês, o Pinho Sol, os tomates e o Omo dupla ação, até a acetona, a carga do Gillete Sensor Excel, pézinhos de alface americana e a o amido de milho básico de cada dia. Seria um sonho, ir até o mercado, pagar um valor X e os caras mandavam entregar. E arrumavam no armário. E ainda preparavam uma groselha Milani para nós. Mas a realidade dos desprovidos de companhia é outra, no mercado que tem a gelatina sem sabor, não tem o limpador para vidros Vidrex, o que nos obriga a visitar diversos estabelecimentos para acabar as compras e a paciência junto.


"...A renda das mulheres sozinhas - solteiras, descasadas e viúvas - é 62% maior que a das acompanhadas” , diz pesquisa da FGV. E eu poderia aqui elencar inúmeras outras vantagens de não ter alguém no pé, supervisionando tudo e monitorando através dos maldito celular, mas isso seria discursar o óbvio. O fato é que sobra tempo, sobra dinheiro, sobram oportunidades de conhecer pessoas novas, baladas, amigos, trabalhos manuais, música e livros, tudo aquilo que a gente abandona em nome de alguém, que vai abandonar a gente na seqüência.


E o meu anúncio, agora assim: Estela, terráquea, solteira, inteligente e independente não procura companhia - cuidando de mim mode=on. Exceto para ficadas 100% descompromissadas, se a criatura for muito gostosa, trouxer morangos com chantilly e for praticante de pompoarismo ou contorcionista de circo. Oferece sua modesta residência para encontros fortuitos, desde que cumpridas as exigências acima descritas.


E lá vamos nós! :-)





 

ela, Marisa Niño



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Marisa Niño é por si só uma história. Jovem, mora em Santiago do Chile, alma livre, fotógrafa, e como se não bastasse, ainda acumula o atributo linda. Uma amizade virtual de uns 6 anos atrás, acho eu, época do meu finado fã clube da Cássia Eller, amizade esta com décimas quintas intenções. Veio ao Brasil apenas uma vez e nos encontramos no Garota do Flamengo. Prometeu que viria este ano, mas a grana, sempre a maldita grana impede. Ontem ela saiu na edição do Diário de lãs últimas notícias, numa entrevista sobre o seu último trabalho fotográfico, fotos de pessoas com cicatrizes de acidentes automobilísticos, das mais diversas. Chocantes e tocantes também.


[texto suprimido]


Aqui, a reportagem. Vale a pena conferir.



 

Going home!



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Quebrando o silêncio, Bob is going home. Teria eu que recomeçar com um super post, mas como a falta de tempo impera, aliada a um bocadito de ausência de verborragia e impaciência para organizar as idéias, resolvi começar alguma coisa - qualquer coisa mesmo - para sair dessa lei de silêncio que me incomoda. E depois organizar o que há no baú, revirar tudo e entregar o ouro aos poucos.

Há o que falar, companheiros. Há muito o que falar, e calar. Mas o importante mesmo é estar de volta. Isso aqui é terapia. Tipoterapia.





 

Rock nacional, que fim levou você?



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“O rock brasileiro é uma farsa comercial” (João Gordo)


Eu me sinto cada dia mais vovó e apegada aos meus referenciais quando penso no cenário do rock nacional. Se alguém souber onde ele foi parar, pelo amor de Deus me ajudem, começo a desconfiar que o rock nacional ficou como as escolas literárias, depois do modernismo, neo-modernismo ou o que valha, nada mais aconteceu e ficaremos nós confinados eternamente às lembranças de como eram os bons tempos idos. Antigamente as coisas seguiam uma linha de raciocínio, era possível identificar as motivações desta ou aquela banda, o tipo de som produzido, hoje tudo é mp3 solta e desconexa, sem histórias ou referenciais. Será possível que o bom rock nacional hoje se resume dos nossos ídolos das décadas passadas? Onde foi parar a irreverência dos grandes como o Camisa de Vênus ou o Ultraje? A política da Plebe Rude?


É o que eu posso chamar de um cenário preocupante. Nada realmente original é lançado, os poprocks de bosta vão por aí se arrastando, vendendo discos, fazendo shows e sem o mínimo de qualidade, infelizmente. Os adolescentes desta geração, esses sim são os mais desafortunados, não sabem e nem nunca saberão o que foi viver o rock como nos anos 70 e 80. E eu sou uma vovozinha feliz por ter tido a oportunidade de estar viva enquanto o rock nacional ainda estava. Sim, porque ele morreu, quem sobrou, vamos contar? Os Titãs já deveriam ter acabado há pelo menos uns 5 anos atrás, o Ira agora desfalcado já era há tempos, o Capital ficou lá na época de BSB e lá deixou também sua essência, o Barão, fazendo Acústico MTV pra poder cantar os mesmos velhos sucessos de sempre, e o resto alguém sabe? Ah sim, hoje temos a Pitty dando pinta nos seus shows, de botinha/piercings/maquiagem emo. Os adolescentes rebeldes curtindo Charlie Brown Jr. que pra mim é lixo, lixo, 30 vezes lixo. E só. CPM 22 e afiliados eu me recuso a comentar. Ah sim, o povinho cantando “Fácil, extremamente fácil”. É de foder, né não?


Não é preguiça de procurar, é mesmo falta de coisa nova acontecendo no cenário. Eu me sinto uma viúva nostálgica, baixando sons cada vez mais antigos, vivendo de um passado distante, porque procuro e não acho nada que me apeteça, nenhuma banda que corra por fora dos modismos existentes, pouquíssima coisa irreverente, divertida, estilo Marcelo Nova.. As gravadoras não investem no cenário alternativo, deve haver alguma coisa boa rolando e, ninguém sabe por que não chega onde tem que chegar. O que chega e cai no gosto do público é, infelizmente, de procedência duvidosa e contestável. Beth morreu e o rock, em sua essência mais pura, foi com ela também. Culpa do público que lota as micaretas e aparece em gatos pingados nos poucos shows que se oferecem? Culpa da mídia? Culpa do bispo? São constatações tristes que me deixam angustiada. Que saudade. O jeito que há é pensar que o rock vive em mim, que continua nas veias, mesmo que pouco divulgado. Se ele me comove, se me traz emoções, então ele vive, na surdina, mas vive, em cada um dos meus 33 anos.





 

Sobre Fidelidade Conjugal



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Fidelidade é uma coisa na qual eu acredito, eu sou muito fiel aos meus princípios. Estou na vida para ser feliz, viver, fazer o que eu quiser, o que me der vontade, desde que não machuque outras pessoas. Eu não sou a filha da puta clássica, aquela que trai e inventa mil desculpas, até porque eu não tenho essa habilidade toda para mentir. Agora a tal fidelidade conjugal, essa eu raramente consegui exercer, assumo. Não sei por que isso acontece, mas meus relacionamentos parecem ter, claramente, prazo de fidelidade previamente estabelecido. Eu sou fiel dois anos. Depois disso, me dá uma comichão que eu não sei de onde vem e pronto, quando me dou conta, olha a Estela de novo fora da linha.


Talvez isso se deva ao meu espírito contraventor. Alguns talvez pensem que eu não encontrei o verdadeiro amor, porque se encontrasse não faria isso. Mentira. Não creio que ser fiel e infeliz seja um fator contribuinte para uma relação, nem que calar nossas vontades seja digno de palmas, em nome de alguém que você acha que é o amor da sua vida hoje. Quantas vezes nós achamos ter encontrado esse amor? Muitas. E grande amor até quando? Tudo pra mim tem validade, eu sou uma pessoa altamente racional. Pode parecer cruel olhando assim, a primeiro plano, mas o fato é que eu simplesmente não consigo ser muito diferente disso.


Fidelidade tem modalidade e níveis distintos, cada um assume seus critérios particulares na verdade. Tem gente que acha que beijar outra pessoa é ser infiel, outras que para configurar traição é preciso fazer sexo, e gente que acha que o simples fato de desejar o próximo, mesmo em pensamento e sem concretizar nada, é suficiente para ser considerado infidelidade. As modalidades, segundo a Sociologia, definem fidelidade recíproca, pré-acordada entre os membros, e a unilateral, consentida e não-consentida. A primeira, para mim, soa hipócrita. O homem é um ser sexual de natureza e isso se manifesta, quer ele queira ou não, até mesmo contra a sua vontade, logo, fiel 100% é utópico. A segunda modalidade já me parece mais coerente, a unívoca. Consentida enquanto você permanece apaixonado, ou quando decide instituir o tal relacionamento aberto, em que ambos consentem ter outras investidas rolando, e não-consentida quando surgem esses casos de pulada de cerca e omite-se, ou não, o fato ao outro.


É preciso ser delicado até para ser infiel. Não é nada agradável ouvir do outro uma traição consumada, portanto, é bem melhor não falar nada e evitar discussões inúteis, preservando o outro. O ideal é investigar o que foi motivador e avaliar a quantas anda a relação, pois se houve uma “janela” para a entrada de uma terceira pessoa, é porque existe aí algo não satisfatório para um dos lados. Dizem que é sempre melhor contar a verdade em tudo, mas nestes casos, muita sinceridade me parece até sadismo. Amar é também se importar, não ferir, ao invés de entrar num embate e fazer grandes revelações dolorosas que não vão mudar o status do leite derramado. Já derramou. Contar ou não contar, vai mudar alguma coisa? O outro acaso vai ficar mais feliz, ouvindo os detalhes? Acho que não. Respeito numa relação e confiança mútua valem muito quando tudo está dando certo. Ter uma pessoa maravilhosa do lado e ainda assim traí-la, por pura diversão, é canalhice, agora não me entra na cabeça que eu tenha que deixar de ser feliz em nome do outro, ou que eu tenha que fechar os olhos para o que me é aprazível apenas porque a sociedade considera esses atos um desvio de caráter. Foda-se a sociedade e seus rótulos inúteis - infiel sim e ponto.








 

a três



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Pessoas normais, adultas, vacinadas e contribuintes do INSS em geral, pensam que a cama é lugar para no máximo duas pessoas compartilharem. Não concordo totalmente com esta afirmativa, entretanto, a prática do sexo excedendo este quantitativo é deveras complicada. Requer talento, administração do tempo e entusiasmo elevado ou vira um conglomerado humano desconexo. Falo-o pois tive duas experiências congêneres, uma que deu certíssimo e outra que deu meio errado. Nos últimos dias esse assunto habita misteriosamente meu subconsciente, talvez um sinal do que eu ainda não fiz, e olha que eu já fiz bastante coisa nessa vida, mas 2008 tá aí e sempre é tempo.


Homem/moça e homem: iniciaremos pelo descritivo da situação plenamente satisfatória.
Nos idos de minha bissexualidade, dois amigos, um hotelzinho fuleiro, nada o que fazer na madruga, acabando de sair de um inferninho, os ânimos exaltados, a receita perfeita. Os dois em questão eram dois amigos meus, porque ninguém come inimigo, claro, um deles queria o outro, o outro não queria o um e eu queria os dois, com níveis diferentes de envolvimento. O C. foi mais caridoso e enamorado, o R. foi pá pum. Tirando o fato de que rolaram algumas estranhezas entre os meninos, um tentando e o outro rosnando com cara de nojo, na parte que me diz respeito posso dizer que fui muito animada. Tanto que R. não compareceu ao trabalho no dia seguinte, dizia-se estafado e que “eu tinha acabado com ele”. Que gente mais devagar, Deus meu. Lembro que os ladrilhos do banheiro eram um de cada cor e de diferentes estampas, o perfeito mosaico do mau gosto decorativo. De resto, sobram-me alguns flashes efusivos, até porque minhas condições etílicas eram elevadas naquele momento.

Moça/Moça e Moça: progesteronas confusas em série.
Isso foi numa viagem minha à SP. Sinto-me livre demais em viagens e sempre acabo fazendo algumas merdas, até aí normal. M. é linda, eu superafim, e ela levou outra M., mais novinha, mas que de iniciante não tinha nem o dedo mindinho. Como íamos, eu e a primeira M. para um lugar mais aconchegante, a outra M. teve que vir junto, até porque eu não teria coragem de deixá-la ao relento, ao Deus dará. Um hotel também fuleiro, no centro de Sampa, algumas cervas, eu tinha ares de menino naquela época, inclusive vestia uma calcinha que era praticamente uma cueca box, branquinha, enfim, eu posso dizer que fui o homem do trio. Além de trabalhoso o negócio, houve momentos em que eu não sabia mais em quem estava, era uma, era outra, eram duas, isso sem tempo para concatenar as coisas. Na verdade ficou um tanto impessoal, não rolou um trabalho focado, até porque o meu poder de concentração tinha ficado perdido em alguma daquelas tulipas no bar que antecedeu o momento, e minhas maiores merdas são feitas com o álcool como pano de fundo. Tá, foi legal, mas eu gostaria de ter tido mais tempo para me dedicar, as moças saíram felizinhas e eu com um quê de tá faltando alguma coisa. Mas vale a experiência.

Moça/ Homem e moça: se existe a perfeição, ei-la.
Infelizmente não posso contar que já tenha feito isso, e este é aliás, o objeto de reflexão do momento. Muitos moços sonham com o dia perfeito em que quatro mãos, quatro pernas e outras coisas duplas dividam o mesmo lugar na cama com eles, posso dizer que entendo esses anseios, até porque, em perfeita sintonia, um trio desses pode ter efeito devastador. Duro é encontrar gente sem frescura e disposta, três pessoas que queiram-se e que estejam mais ou menos igualmente a fim. Um dia eu chego lá. Candidatos e candidatas, hora de encaminhar suas fichas para seleção.



P.S. se o último post do ano segue nessa linha, imaginem os subseqüentes.






 

Tá acabandoooo!





Enfim o Papai Noel voltou para o Pólo Norte e o especial do Roberto já acabou há tempos, felizmente. É, por mais que queiramos evitar, caros amigos, 2008 bate às nossas portas e é inevitável pensar no que realizamos/deixamos de realizar. Alguns Tipos já fazem suas listas, eu, por minha vez, vejo a minha lá no 43things todo ano. Impressionante como metade da lista se resolve com a resolução de um item, donde conclui-se que estou maisoumenos na mão do destino, esperando o trem.


Fico feliz com as festas de Ano Novo, muito mais que o apático Natal. Pelo menos boto lá minha roupa branquinha e não tenho obrigação nenhuma de sair de casa, já que o Natal é família, tio, tia, prima, periquito, papagaio e toda aquela chatice, além dos inevitáveis comentários do “E a Estela, casa quando?” “Não vai ter filhos?” e o meu tio a tarde inteira ouvindo Ray Conniff. Ékati.


Não sei se eu vou ter tempo, por isso me antecipo. Quero desejar aqui um feliz 2008 para os tipianos que mudam o meu cotidiano sacal, em especial para o Pão Doce, Rubão, Groucho, Anzol, Makowski, Unsleeper, Maneco, Fabebum, Sr. Briguet, o Suuuper Reverendo e as moças Ariadne, Mazi, Salô, Sílvia, Gisele, Paula e me perdoem se eu estou esquecendo alguém. Vocês são supimpas, algodão doce pra vocês. E que venha logo essa porra de 2008 que nem começou e já tá me dando trabalho.



: melhor lugar de 2007, mesa de bar:


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Aos Tipos e derivados!





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Como a moça aqui vai estar sem conexão até depois do Natal, fica a minha mensagem aos tipianos e google surfers que fazem nossa alegria o ano inteiro. Não que eu esteja nesse espírito, mas vai lá... pelo menos esses dias de festa servem para que não trabalhemos, e isso nem se aplica a todos nós mas enfim... não tem como fugir mesmo, o Natal tá aí. Podia vir sem a aglomeração nas lojas, sem as casas enfeitadas com luzinhas bregas, sem a porra do bom velhinho, sem a música da Simone que eu já ouvi dezenas de vezes rolando, mas aí também era querer demais.




Feliz Natal, tipaiada! Beijo grande para todos!




 

Confissões de uma ex-gramatiqueira



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Um dia eu já fui uma gramatiqueira. Era cricri, implicava com quem usava errado o pronome oblíquo, corrigia as pessoas, não admitia falhas, pensava que no mínimo as pessoas tinham que saber perfeitamente o seu próprio idioma. Isso até antes de começar o meu curso de Pós em Língua Portuguesa e dar de cara com a Sociolingüística. Acabei abraçando a idéia de tal maneira que meu trabalho de fim de curso seguiu esta linha. Foi um aprendizado estupendo que quebrou minhas regras atrasadas e idiotas e me tornou uma pessoa melhor. Eu teria todo direito de corrigir quem eu quisesse, mas não o faço. Eu poderia discutir derivação, mas não o faço, e nem quero.


Não é preciso ir muito longe, muitas discussões aqui no Tipos falam sobre a gramática, até porque o seu bom uso deve ser assunto entre os jornalistas. Num texto formal eu entendo que a norma culta/padrão deva ser observada, mas na informalidade, acho uma tremenda bobagem, pedante até. Não entendo como a comunicação pode vir antes das regras de gramática, se a língua foi feita para estabelecer a comunicação, antes de qualquer coisa. A língua é viva, em constante movimento, molda-se à medida que os falantes assim necessitam, por mais que queiramos o contrário. Novos vocábulos são inseridos, aportuguesados, transformados, novas construções são estabelecidas e muitas outras ainda serão, mesmo que torçamos nossos narizes – e a língua seguirá seu ciclo de renovação, independente de nós.


Celso Cunha e Bechara escreveram compêndios fabulosos, eu os tenho. Comprei e raramente faço uso: sua escrita rebuscada e suas regras, algumas discutíveis e dispensáveis, acabam por desmotivar a leitura e o aprendizado. Não que eles sejam completamente inúteis, óbvio que não, muito há para ser absorvido em suas leituras, mas quem consegue entendê-los, francamente? Se eu que sou estudante da língua me perco, imagine os leigos. Aí os professores Pasquale da vida lançam seus fascículos e caem no gosto do público. Mas quem é esse Pasquale? Um estudioso da língua ou um mero aproveitador + excelente marketing? Eis a questão. Não sei até que ponto ele presta serviço, ou desserviço. Aprender as regras é possível, agora aprender até onde podemos ir com essa insistência em ver tudo corretinho, em nossa fala/escrita e principalmente nas alheias, talvez seja um pouco mais complicado, pois requer uma dose cavalar de bom senso.


Escrever bem nem sempre é observar todas as regras, há ilustres escritores que erram, e nem por isso deixam de transmitir suas idéias. Erros crassos não são bonitos, claro, devemos evitá-los sempre que possível, mas viver encarcerados pelas regras e pensar em todas elas no momento da escrita torna-a um trabalho de Hércules, quando não precisaria ser assim. No momento em que corrigimos outrém, devemos nos ater ao fato de que estamos expondo esta pessoa ao ridículo público, como se ela tivesse cometido um pecado contra a castidade idiomática. Que castidade? Onde está escrito que ela existe? A função de ensinar deveria ser unicamente exercida pelos professores, em seus recintos próprios. Corrigir, pura e simplesmente, para demonstrar superioridade de conhecimento é disseminar a discriminação social através da linguagem, é considerar erro tudo aquilo que escape às garras do padrão perfeitinho da Gramática normativa. A língua é nosso instrumento para comunicar, e isso inclui saber ouvir, respeitar e compreender o interlocutor.




 

Ora, que melhora!



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Morando em Deus me livre como eu moro, só poderia mesmo andar de trem. Este trânsito pela cidade não é dos mais aprazíveis, os trens do RJ são horrorosos, lotados, intervalos pequenos, manutenção nula. Têm um vagão exclusivo para mulheres, que inicialmente eu pensei que seria o éden, mas que nada, evito torrencialmente: elas falam horrores, são mal educadas, discutem entre si, enfim, um inferno de Dante. Sem contar que há muito mais mulheres no mundo do que julgamos, pelo menos entre a parcela que faz uso de transporte férreo, o que transforma o vagão em questão numa maravilhosa lata de sardinha de hormônios exaltados. Deusolivre.


Dos poucos vagões que sobram para se embarcar, um em questão merece esse texto. Primeiro quero deixar claro que eu não tenho nada contra religiões, não discuto, até porque eu sou a própria mistura, o sincretismo em carne e pescoço. Do mesmo jeito que faço novenas para Santa Rita de Cássia e Nossa Senhora da Cabeça, ouço pontos de umbanda no mp4, faço meus trabalhinhos para Ogum e tenho encanto absoluto por Yemanjá, sem contar os livros psicografados, ou seja, uma zona. Uma pessoa assim como eu, que acredita em tudo que possa lhe trazer bons fluídos, não tem direito de criticar coisa alguma, quem sou eu. Agora não vem querer me enfiar religião pela goela abaixo não. Ah, não vem não! Até porque religião não se absorve assim por osmose, tem que partir de uma busca da própria criatura e nunca por lavagens cerebrais.


Há um vagão onde se reúnem, regularmente, os evangélicos. Tá, acho legal, tenho minhas inúmeras ressalvas mas foda-se, fé é sempre fé, venha de onde vier. O problema 1 é que eles cantam, levam pandeirinhos e os caráio, no trem. O problema 2 é que eles não rezam, vociferam. O problema 3 é que numa viagem de trem pela manhã a gente está morrendo de sono e não quer ouvir merda nenhuma, o problema número 4 é que se você fizer cara feia e reclamar do barulho, eles se juntam e dizem que você está com o demônio, e o problema número 5 é que no fim do trajeto eles pedem para levantar a mão quem quer conhecer Jesus naquele vagão. Ah sim. É claro, ninguém levanta a mão porra nenhuma e eu acho o máximo essa parte, ficam só eles lá, os fanáticos, rezando dentro do trem enquanto todo mundo desembarca.


Bom, se eles podem gozar desta exclusividade, ter um vagão só para suas cantorias e pregações, eu sugeriria que esta dádiva fosse estendida a outros credos. Teria um vagão com as beatas e seus tercinhos, outro para os mantras mmmmmmmmmmm intermináveis, um outro para uma mesa branca e um copo d’água aguardando os espíritos baixarem entre as paradas das estações e um só para a gira do candomblé. Esse sim seria foda. Sem bancos, é claro, só um espaço livre para os caboclos pousarem felizes, gente incorporando suas pombas-giras livremente enquanto os passantes carregam suas marmitas feijovo abafadas na bolsa. Agora vê, o mundo tá mesmo de cabeça pra baixo. As pessoas acham que religião cabe em qualquer lugar, até no trem. E os evangélicos acham que Jesus é surdo, não é possível, promover o desencapetamento dentro de um coletivo é realmente o fim da picada. Queima eles Jesus, de preferência na Fogueira Santa de Israel.






 

Torturas depilatórias





Eu para uma sessão de limpeza de pele. Uma infinidade de cabines brancas num corredor e vou para uma delas acompanhada da esteticista, uma japonesinha. Meus cravos eram tão enormes que ela não precisava abrir os olhos para ver, ainda bem. Na cabine do lado havia uma outra moça, bem, pelo menos eu não estava sozinha por ali, naquele momento angustiante. Tudo tão branco naquele lugar parecia um hospital. A japonesinha começa sua session, tira creme, põe creme, limpa, põe creme de novo, tira creme de novo, põe máscara, enfim, tudo dentro da mais perfeita ordem – ordem entrecortada por um diálogo na tal cabine do lado:


- Cavada?
- Ah sim, cavadinha.
- Agora vou fazer a parte de trás, vira.
- Tá.
- Assim, assim tá ótimo.


Estela tentando entender o que se passava naquele momento, pelos urros era uma depilação com cera, e sim, ela estava debulhando a coitada da perseguida, pior, iria fazer a tal depilação anal também. Que coisa horrorosa, deprimente. Eu jamais faria uma coisa dessas, prefiro virar uma floresta amazônica que situações vexaminosas assim, diante de uma depiladora sei lá das quantas. Eu me recuso a imaginar a posição estratégica necessária para a remoção destes pêlos. Aff. Posições assim são ótimas não para passar cera, muito menos com desconhecidas. Para não tornar o texto de baixo calão, até porque eu sou fina pra caralho, substituirei o c* por “ele”. Acompanhem:


- Mas você tá vendo “ele”? Direitinho?
- Como assim se eu estou vendo? Você não sabe onde fica mais não? Perdeu o referencial?


A japonesinha se cascando de rir, jogando perdigotos malditos no rostinho lindo que mamãe e papai fizeram. Argh. Porca dos infernos. Enquanto ela me futucava com suas agulhinhas, já na parte dos cravos, eu tentava manter a pose, sem rir. Sou uma mulher superior, tenho que ser solidária com a próxima, coitada, lá depilando os pêlos anais e a gente rindo, isso não se faz. Ouço um super grito, sinal que a moça acabou, deve ter puxado a cera, e arrancado meio “ele” da moça junto. Tentei virar o rosto para ver a expressão de “Meu Deus do Céu” da moça, quando ela deixava o ambiente, mas não deu, tava lá a japonesinha enfiada nos meus cravos. Agora eu pergunto: isso tudo é realmente necessário? Pra quem ela ia dar esse “ele” que precisava ficar assim, desnudo? E esse sofrimento todo, por acaso quem vai comer, “ele”, vai ficar olhando se tem pêlo ou não? Mulher inventa cada coisa...



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...tá doendo mas tô aguentando...





 
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