Blérgh!

A quase não-paquerável



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Plena semana do fatídico dia dos namorildos, excelente oportunidade para se reavaliar – solteiros ou não – o nosso potencial de atrair atenção dos outros em ambientes públicos e situações cotidianas. É triste concluir, mas se eu dependesse exclusivamente do meu poder de sedução falido para atrair alguém para minhas teias, estaria seguramente fadada ao celibato. Não que eu não seja olhada, observada, seguida por pares de olhos alheios, até devo ser, em alguns momentos, o problema mesmo é a minha total desatenção aos sinais de paquera, mesmo aquelas muito embaixo do meu nariz, e uma falta de talento natural para responder à investidas. Investir então, esquece.


Deve ser por isso então que eu não passo por 90% das situações constrangedoras que ouço por aí. Nunca recebi telefonemas de admiradores (as) secretos (as), porque eu nunca dou meu número para ninguém. Não tenho que despachar pretendentes malas, pois sequer permito aproximações. Não preciso fingir que não conheço, ou inventar roupas diferentes para despistar pretendentes em encontros públicos, porque também não me lembro de ter marcado nada nesse sentido até hoje. Vantagens óbvias de quem é quase uma muralha no que tange às outras pessoas, entretanto, perde-se oportunidades de ouro (perde-se?) com esse retraimento todo. O pouco que me lembro da prática de paquerar vem dos idos de minha adolescência, época em que eu tinha muito menos juízo na cabeça e era mais saidinha também, ou seja, faz lá alguns bons amargos anos.


Quem lê pode então concluir que eu sair de alguma situação de encalhe é algo pouco provável. Na verdade eu nunca me senti assim, 100% encalhe, porque eu lido de forma bastante natural com a solteirice. Jamais saio à caça, deixo apenas que as coisas fluam, quando me parecem adequadas/proveitosas. Felizmente foram raros os meus períodos de vacas magras, sempre há uma boa carta na manga, algo que eu quero viver ainda ou alguém que pretendo conhecer melhor. É tudo uma mera questão de saber identificar cenários, há coisas que têm maior probabilidade de darem certo e outras que são barcas furadas, mas no geral é ir em frente, e de preferência sem precisar depender daquela piscada de olhos cafona na mesa do bar, correndo o sério risco de um toco monumental, já que eu tenho pouco talento para este negócio. Pelo menos essa é a minha técnica.


Sexta passada, entretanto, fui abordada por uma criatura. Ele veio até mim no ponto final do meu ônibus, local pouco convencional para essas práticas, com um papo estranho, que eu confesso ter entendido pouca coisa e fez coisas inéditas: cantou-me descaradamente sem ao menos nunca ter me visto na vida, sorriu, foi simpático e, sobretudo, cara de madeira sênior. Pediu o número do meu celular, eu disse que não tinha. Pediu-me uma caneta para anotar o número dele, eu disse que também não tinha, super solícita, como sempre. Ele correu desesperado para uma banquinha de doces próxima, a fim de conseguir uma bic, anotou o seu telefone num papelzinho e entregou-me sorrindo. A justificativa é que foi genial. Disse ele que trabalha muito, que não tem tempo de conhecer ninguém. Que era para eu ligar para “fazer alguma coisa”. Oras, mas eu já faço várias coisas... Penso eu: a que ponto chega a solidão humana? Abordar uma moça num ponto final de ônibus urbano com essa conversa? Em plena sexta-feira? Uma semana antes do Dia dos Namorados? O moço está mesmo em desespero de causa. Se alguma moça aqui que me lê quiser fazer caridade, eu juro que forneço o número do moço. Djalma é o nome dele. [rs]

Feliz Dia dos Namorados a todos!!! :)

Publicado em 09 de junho de 2008 às 16:05 por estela

Comentários

    • Uia... até parece que fui eu que escrevi este texto (tirando o último parágrafo, é claro)...

      Incrível como parece que quanto mais o tempo passa mais conservadoras ficamos... eu era tão menos careta aos 17 anos.. hehehe...

      Beijos..
    • por gibedendo, all we need is love..
    • 09.Jun.2008 às 13:06 - Permalink - Reportar
    gibedendo
  1. Fábio
    • Estelita!
      Dei boas risadas com seu texto quase que bem humorado sobre o esperado dia dos casais namorildos. (rs) Pobre Djalma é um dos expectadores no alvo solitário da comemoração. Dá uma chance pra ele, vai! (rs) Publica o fone! AHAHAAHAHAH. Sobre o seu "radar afetivo", há sem dúvida um bom lado que é: ME MIRA MAIS ME ERRA! AHAHAAAH. Beijo, feliz dia 12 na solteirice e adorei!
    • por Flávia Tonalezi
    • 11.Jun.2008 às 09:33 - Permalink - Reportar
    Flávia Tonalezi
    • Super Estela! Muito legal o texto, já tava com saudade de ler seus posts sabia?! Dia dos namorados é mesmo um bagulho estranho, mesmo sendo uma coisa comercial e pronto, vc se sente na obrigação de comprar um presentinho e dar um trégua em todas as birras cotidianas por pelo menos uma noite... é bacana!
      Enfim, vê se nos dá a honra de ler seus textos bem humorados com mais frequência, ok??
      Beijocas pra vc!
      Ju.
    • por Juliana Garcia
    • 11.Jun.2008 às 18:19 - Permalink - Reportar
    Juliana Garcia
    • obaita mentira, tu não deixou de notar o interesse dos outros.
      tu só cansou de conhecer gente chata e desinteressantes, aí teu cérebro fez o favor de filtrar qualquer tentativa de aproximação de malas. em suma, tu evoluiu heheh.
    • por groucho, saudoso
    • 23.Jun.2008 às 12:50 - Permalink - Reportar
    groucho
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