Blérgh!

é, um pouco deprê.



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For how much longer can I howl into this wind?
For how much longer
Can I cry like this?
A thousand wasted hours a day
Just to feel my heart for a second
A thousand hours just thrown away
Just to feel my heart for a second
For how much longer can I howl into this wind?




Ramal Santa Cruz, Rio de Janeiro, vagão de trem. Em pé, com dor em todos os poros existentes. A face da desolação era visível, pois bem sei que não consigo fingir felicidade quando necessário. Uma lágrima que rola tão clara, imensa, cai de 1,74m de altura, cuja trajetória foi percebida por um passageiro que estava sentado. Por comiseração, acho eu, ele me oferece o seu lugar e eu aceito, para que então eu passe a derramar as próximas em meu próprio colo, ao invés de regar os que estão sentados.


Sempre aparece quem fale de Deus, e foi o que fez o passageiro gentil. Eu sei de Deus, eu ando com ele, entretanto, lágrimas são presentes e serão sempre, em qualquer lugar que eu quiser que elas caiam. E neste caso elas têm uma infinidade de motivos para cair, nada que não tenha solução, mas motivos reais. Acho que seria prudente aprender a guardá-las para evitar os olhares de pena do público? Não. Fico pensando às vezes o que acham de mim as pessoas que me olham enquanto choro, não que eu me preocupe com o que pensem. Quando vejo suas caretas ao meu encontro procurando decifrar o motivo das lágrimas – acho que todos fazem isso quando vêem alguém chorando – eu vejo que choro, independente do que imaginem ou suponham estar acontecendo.


Algumas lágrimas depois, ritual de recomposição do que restou. Olhos inchados, posso vê-los no espelho do blush. E todos acompanham meus gestos no trem, gostam de acompanhar as minhas esquisitices, é impressionante. Uma camada de pó compacto, o blush amigo, dois traços de lápis de olho, batom e voilá, tudo quase de volta ao lugar. É chegada a estação Central do Brasil e mais um dia de trabalho me espera. Na mente a certeza de que os cosméticos podem tratar e tentar tornar apresentável o externo, tarefa fácil, pena é que não possam amenizar também o que vai por dentro. Se eu pudesse, passaria um batom vermelho carmim no coração, colocaria-lhe um salto alto e mandaria pra balada, ver gente, oxigenar, bombear sangue novo rejuvenecedor. Mas não posso nada disso. O coração hoje é um velho, ranzinza, de pantufas, assistindo Sessão da Tarde e esperando a hora de parar.


Publicado em 29 de julho de 2008 às 18:08 por estela

Comentários

  1. zaratustra
    • Olá Estela,muito legal o seu blog. Voltarei. abraços
    • por karen debértolis
    • 29.Jul.2008 às 19:20 - Permalink - Reportar
    karen debértolis
    • Triste demais. Espero que melhore logo.
    • por silvia -
    • 30.Jul.2008 às 05:25 - Permalink - Reportar
    silvia -
    • Que triste. Mas lágrimas são boas, servem para lavar a alma. Não as contenha não. Faz bem.
    • por Fernanda Mendonça
    • 30.Jul.2008 às 06:10 - Permalink - Reportar
    Fernanda Mendonça
    • Sei que temos nossos dias de tristeza... e são eles que vão nos ensinam a valorizar os bons momentos da vida. Tudo é válido, não é?
    • por maven
    • 30.Jul.2008 às 06:52 - Permalink - Reportar
    maven
    • Humm.. triste mesmo..
      Mas na tristeza que conseguimos proporcionar lindos textos aos leitores.. E este seu é maravilhoso! Beijos.
    • por gibedendo, make up now!
    • 30.Jul.2008 às 07:27 - Permalink - Reportar
    gibedendo
    • Agradeço aos leitores pelos comentários, é bom saber que se importam. Minha vida toda sempre foi crescer no lamaçal, então não vejo fases assim como catastróficas ou irremediáveis, mas também não finjo que está tudo bem, vou dissolvendo aos poucos. Lágrimas são para mim a forma como encontro para expurgar o insuportável. Ainda bem que eu choro, poderia me drogar, né? rs. Vai passar. Beijos em todos.
    • por estela
    • 30.Jul.2008 às 13:12 - Permalink - Reportar
    estela
    • estela,

      no lamaçal todos estamos mas alguns sabem olhar pras estrelas, he.

      ok, foi brega, mas fazer o quê, lembrei de uma frase do oscar wilde (sempre ele!) que era mais ou menos assim e me pareceu apropriada.
    • por groucho
    • 30.Jul.2008 às 13:37 - Permalink - Reportar
    groucho
    • Hohoho Groucholino, thanks pela breguice apropriada e bem-vinda! :)
    • por Estela
    • 30.Jul.2008 às 14:28 - Permalink - Reportar
    Estela
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