Blérgh!

a três



null



Pessoas normais, adultas, vacinadas e contribuintes do INSS em geral, pensam que a cama é lugar para no máximo duas pessoas compartilharem. Não concordo totalmente com esta afirmativa, entretanto, a prática do sexo excedendo este quantitativo é deveras complicada. Requer talento, administração do tempo e entusiasmo elevado ou vira um conglomerado humano desconexo. Falo-o pois tive duas experiências congêneres, uma que deu certíssimo e outra que deu meio errado. Nos últimos dias esse assunto habita misteriosamente meu subconsciente, talvez um sinal do que eu ainda não fiz, e olha que eu já fiz bastante coisa nessa vida, mas 2008 tá aí e sempre é tempo.


Homem/moça e homem: iniciaremos pelo descritivo da situação plenamente satisfatória.
Nos idos de minha bissexualidade, dois amigos, um hotelzinho fuleiro, nada o que fazer na madruga, acabando de sair de um inferninho, os ânimos exaltados, a receita perfeita. Os dois em questão eram dois amigos meus, porque ninguém come inimigo, claro, um deles queria o outro, o outro não queria o um e eu queria os dois, com níveis diferentes de envolvimento. O C. foi mais caridoso e enamorado, o R. foi pá pum. Tirando o fato de que rolaram algumas estranhezas entre os meninos, um tentando e o outro rosnando com cara de nojo, na parte que me diz respeito posso dizer que fui muito animada. Tanto que R. não compareceu ao trabalho no dia seguinte, dizia-se estafado e que “eu tinha acabado com ele”. Que gente mais devagar, Deus meu. Lembro que os ladrilhos do banheiro eram um de cada cor e de diferentes estampas, o perfeito mosaico do mau gosto decorativo. De resto, sobram-me alguns flashes efusivos, até porque minhas condições etílicas eram elevadas naquele momento.

Moça/Moça e Moça: progesteronas confusas em série.
Isso foi numa viagem minha à SP. Sinto-me livre demais em viagens e sempre acabo fazendo algumas merdas, até aí normal. M. é linda, eu superafim, e ela levou outra M., mais novinha, mas que de iniciante não tinha nem o dedo mindinho. Como íamos, eu e a primeira M. para um lugar mais aconchegante, a outra M. teve que vir junto, até porque eu não teria coragem de deixá-la ao relento, ao Deus dará. Um hotel também fuleiro, no centro de Sampa, algumas cervas, eu tinha ares de menino naquela época, inclusive vestia uma calcinha que era praticamente uma cueca box, branquinha, enfim, eu posso dizer que fui o homem do trio. Além de trabalhoso o negócio, houve momentos em que eu não sabia mais em quem estava, era uma, era outra, eram duas, isso sem tempo para concatenar as coisas. Na verdade ficou um tanto impessoal, não rolou um trabalho focado, até porque o meu poder de concentração tinha ficado perdido em alguma daquelas tulipas no bar que antecedeu o momento, e minhas maiores merdas são feitas com o álcool como pano de fundo. Tá, foi legal, mas eu gostaria de ter tido mais tempo para me dedicar, as moças saíram felizinhas e eu com um quê de tá faltando alguma coisa. Mas vale a experiência.

Moça/ Homem e moça: se existe a perfeição, ei-la.
Infelizmente não posso contar que já tenha feito isso, e este é aliás, o objeto de reflexão do momento. Muitos moços sonham com o dia perfeito em que quatro mãos, quatro pernas e outras coisas duplas dividam o mesmo lugar na cama com eles, posso dizer que entendo esses anseios, até porque, em perfeita sintonia, um trio desses pode ter efeito devastador. Duro é encontrar gente sem frescura e disposta, três pessoas que queiram-se e que estejam mais ou menos igualmente a fim. Um dia eu chego lá. Candidatos e candidatas, hora de encaminhar suas fichas para seleção.



P.S. se o último post do ano segue nessa linha, imaginem os subseqüentes.


Publicado em 28 de dezembro de 2007 às 18:38 por estela

Tá acabandoooo!





Enfim o Papai Noel voltou para o Pólo Norte e o especial do Roberto já acabou há tempos, felizmente. É, por mais que queiramos evitar, caros amigos, 2008 bate às nossas portas e é inevitável pensar no que realizamos/deixamos de realizar. Alguns Tipos já fazem suas listas, eu, por minha vez, vejo a minha lá no 43things todo ano. Impressionante como metade da lista se resolve com a resolução de um item, donde conclui-se que estou maisoumenos na mão do destino, esperando o trem.


Fico feliz com as festas de Ano Novo, muito mais que o apático Natal. Pelo menos boto lá minha roupa branquinha e não tenho obrigação nenhuma de sair de casa, já que o Natal é família, tio, tia, prima, periquito, papagaio e toda aquela chatice, além dos inevitáveis comentários do “E a Estela, casa quando?” “Não vai ter filhos?” e o meu tio a tarde inteira ouvindo Ray Conniff. Ékati.


Não sei se eu vou ter tempo, por isso me antecipo. Quero desejar aqui um feliz 2008 para os tipianos que mudam o meu cotidiano sacal, em especial para o Pão Doce, Rubão, Groucho, Anzol, Makowski, Unsleeper, Maneco, Fabebum, Sr. Briguet, o Suuuper Reverendo e as moças Ariadne, Mazi, Salô, Sílvia, Gisele, Paula e me perdoem se eu estou esquecendo alguém. Vocês são supimpas, algodão doce pra vocês. E que venha logo essa porra de 2008 que nem começou e já tá me dando trabalho.



: melhor lugar de 2007, mesa de bar:


null

Publicado em 26 de dezembro de 2007 às 13:54 por estela

Aos Tipos e derivados!





null



Como a moça aqui vai estar sem conexão até depois do Natal, fica a minha mensagem aos tipianos e google surfers que fazem nossa alegria o ano inteiro. Não que eu esteja nesse espírito, mas vai lá... pelo menos esses dias de festa servem para que não trabalhemos, e isso nem se aplica a todos nós mas enfim... não tem como fugir mesmo, o Natal tá aí. Podia vir sem a aglomeração nas lojas, sem as casas enfeitadas com luzinhas bregas, sem a porra do bom velhinho, sem a música da Simone que eu já ouvi dezenas de vezes rolando, mas aí também era querer demais.




Feliz Natal, tipaiada! Beijo grande para todos!

Publicado em 21 de dezembro de 2007 às 11:03 por estela

Confissões de uma ex-gramatiqueira



null



Um dia eu já fui uma gramatiqueira. Era cricri, implicava com quem usava errado o pronome oblíquo, corrigia as pessoas, não admitia falhas, pensava que no mínimo as pessoas tinham que saber perfeitamente o seu próprio idioma. Isso até antes de começar o meu curso de Pós em Língua Portuguesa e dar de cara com a Sociolingüística. Acabei abraçando a idéia de tal maneira que meu trabalho de fim de curso seguiu esta linha. Foi um aprendizado estupendo que quebrou minhas regras atrasadas e idiotas e me tornou uma pessoa melhor. Eu teria todo direito de corrigir quem eu quisesse, mas não o faço. Eu poderia discutir derivação, mas não o faço, e nem quero.


Não é preciso ir muito longe, muitas discussões aqui no Tipos falam sobre a gramática, até porque o seu bom uso deve ser assunto entre os jornalistas. Num texto formal eu entendo que a norma culta/padrão deva ser observada, mas na informalidade, acho uma tremenda bobagem, pedante até. Não entendo como a comunicação pode vir antes das regras de gramática, se a língua foi feita para estabelecer a comunicação, antes de qualquer coisa. A língua é viva, em constante movimento, molda-se à medida que os falantes assim necessitam, por mais que queiramos o contrário. Novos vocábulos são inseridos, aportuguesados, transformados, novas construções são estabelecidas e muitas outras ainda serão, mesmo que torçamos nossos narizes – e a língua seguirá seu ciclo de renovação, independente de nós.


Celso Cunha e Bechara escreveram compêndios fabulosos, eu os tenho. Comprei e raramente faço uso: sua escrita rebuscada e suas regras, algumas discutíveis e dispensáveis, acabam por desmotivar a leitura e o aprendizado. Não que eles sejam completamente inúteis, óbvio que não, muito há para ser absorvido em suas leituras, mas quem consegue entendê-los, francamente? Se eu que sou estudante da língua me perco, imagine os leigos. Aí os professores Pasquale da vida lançam seus fascículos e caem no gosto do público. Mas quem é esse Pasquale? Um estudioso da língua ou um mero aproveitador + excelente marketing? Eis a questão. Não sei até que ponto ele presta serviço, ou desserviço. Aprender as regras é possível, agora aprender até onde podemos ir com essa insistência em ver tudo corretinho, em nossa fala/escrita e principalmente nas alheias, talvez seja um pouco mais complicado, pois requer uma dose cavalar de bom senso.


Escrever bem nem sempre é observar todas as regras, há ilustres escritores que erram, e nem por isso deixam de transmitir suas idéias. Erros crassos não são bonitos, claro, devemos evitá-los sempre que possível, mas viver encarcerados pelas regras e pensar em todas elas no momento da escrita torna-a um trabalho de Hércules, quando não precisaria ser assim. No momento em que corrigimos outrém, devemos nos ater ao fato de que estamos expondo esta pessoa ao ridículo público, como se ela tivesse cometido um pecado contra a castidade idiomática. Que castidade? Onde está escrito que ela existe? A função de ensinar deveria ser unicamente exercida pelos professores, em seus recintos próprios. Corrigir, pura e simplesmente, para demonstrar superioridade de conhecimento é disseminar a discriminação social através da linguagem, é considerar erro tudo aquilo que escape às garras do padrão perfeitinho da Gramática normativa. A língua é nosso instrumento para comunicar, e isso inclui saber ouvir, respeitar e compreender o interlocutor.


Publicado em 18 de dezembro de 2007 às 10:48 por estela

Ora, que melhora!



null



Morando em Deus me livre como eu moro, só poderia mesmo andar de trem. Este trânsito pela cidade não é dos mais aprazíveis, os trens do RJ são horrorosos, lotados, intervalos pequenos, manutenção nula. Têm um vagão exclusivo para mulheres, que inicialmente eu pensei que seria o éden, mas que nada, evito torrencialmente: elas falam horrores, são mal educadas, discutem entre si, enfim, um inferno de Dante. Sem contar que há muito mais mulheres no mundo do que julgamos, pelo menos entre a parcela que faz uso de transporte férreo, o que transforma o vagão em questão numa maravilhosa lata de sardinha de hormônios exaltados. Deusolivre.


Dos poucos vagões que sobram para se embarcar, um em questão merece esse texto. Primeiro quero deixar claro que eu não tenho nada contra religiões, não discuto, até porque eu sou a própria mistura, o sincretismo em carne e pescoço. Do mesmo jeito que faço novenas para Santa Rita de Cássia e Nossa Senhora da Cabeça, ouço pontos de umbanda no mp4, faço meus trabalhinhos para Ogum e tenho encanto absoluto por Yemanjá, sem contar os livros psicografados, ou seja, uma zona. Uma pessoa assim como eu, que acredita em tudo que possa lhe trazer bons fluídos, não tem direito de criticar coisa alguma, quem sou eu. Agora não vem querer me enfiar religião pela goela abaixo não. Ah, não vem não! Até porque religião não se absorve assim por osmose, tem que partir de uma busca da própria criatura e nunca por lavagens cerebrais.


Há um vagão onde se reúnem, regularmente, os evangélicos. Tá, acho legal, tenho minhas inúmeras ressalvas mas foda-se, fé é sempre fé, venha de onde vier. O problema 1 é que eles cantam, levam pandeirinhos e os caráio, no trem. O problema 2 é que eles não rezam, vociferam. O problema 3 é que numa viagem de trem pela manhã a gente está morrendo de sono e não quer ouvir merda nenhuma, o problema número 4 é que se você fizer cara feia e reclamar do barulho, eles se juntam e dizem que você está com o demônio, e o problema número 5 é que no fim do trajeto eles pedem para levantar a mão quem quer conhecer Jesus naquele vagão. Ah sim. É claro, ninguém levanta a mão porra nenhuma e eu acho o máximo essa parte, ficam só eles lá, os fanáticos, rezando dentro do trem enquanto todo mundo desembarca.


Bom, se eles podem gozar desta exclusividade, ter um vagão só para suas cantorias e pregações, eu sugeriria que esta dádiva fosse estendida a outros credos. Teria um vagão com as beatas e seus tercinhos, outro para os mantras mmmmmmmmmmm intermináveis, um outro para uma mesa branca e um copo d’água aguardando os espíritos baixarem entre as paradas das estações e um só para a gira do candomblé. Esse sim seria foda. Sem bancos, é claro, só um espaço livre para os caboclos pousarem felizes, gente incorporando suas pombas-giras livremente enquanto os passantes carregam suas marmitas feijovo abafadas na bolsa. Agora vê, o mundo tá mesmo de cabeça pra baixo. As pessoas acham que religião cabe em qualquer lugar, até no trem. E os evangélicos acham que Jesus é surdo, não é possível, promover o desencapetamento dentro de um coletivo é realmente o fim da picada. Queima eles Jesus, de preferência na Fogueira Santa de Israel.


Publicado em 13 de dezembro de 2007 às 13:00 por estela

Torturas depilatórias





Eu para uma sessão de limpeza de pele. Uma infinidade de cabines brancas num corredor e vou para uma delas acompanhada da esteticista, uma japonesinha. Meus cravos eram tão enormes que ela não precisava abrir os olhos para ver, ainda bem. Na cabine do lado havia uma outra moça, bem, pelo menos eu não estava sozinha por ali, naquele momento angustiante. Tudo tão branco naquele lugar parecia um hospital. A japonesinha começa sua session, tira creme, põe creme, limpa, põe creme de novo, tira creme de novo, põe máscara, enfim, tudo dentro da mais perfeita ordem – ordem entrecortada por um diálogo na tal cabine do lado:


- Cavada?
- Ah sim, cavadinha.
- Agora vou fazer a parte de trás, vira.
- Tá.
- Assim, assim tá ótimo.


Estela tentando entender o que se passava naquele momento, pelos urros era uma depilação com cera, e sim, ela estava debulhando a coitada da perseguida, pior, iria fazer a tal depilação anal também. Que coisa horrorosa, deprimente. Eu jamais faria uma coisa dessas, prefiro virar uma floresta amazônica que situações vexaminosas assim, diante de uma depiladora sei lá das quantas. Eu me recuso a imaginar a posição estratégica necessária para a remoção destes pêlos. Aff. Posições assim são ótimas não para passar cera, muito menos com desconhecidas. Para não tornar o texto de baixo calão, até porque eu sou fina pra caralho, substituirei o c* por “ele”. Acompanhem:


- Mas você tá vendo “ele”? Direitinho?
- Como assim se eu estou vendo? Você não sabe onde fica mais não? Perdeu o referencial?


A japonesinha se cascando de rir, jogando perdigotos malditos no rostinho lindo que mamãe e papai fizeram. Argh. Porca dos infernos. Enquanto ela me futucava com suas agulhinhas, já na parte dos cravos, eu tentava manter a pose, sem rir. Sou uma mulher superior, tenho que ser solidária com a próxima, coitada, lá depilando os pêlos anais e a gente rindo, isso não se faz. Ouço um super grito, sinal que a moça acabou, deve ter puxado a cera, e arrancado meio “ele” da moça junto. Tentei virar o rosto para ver a expressão de “Meu Deus do Céu” da moça, quando ela deixava o ambiente, mas não deu, tava lá a japonesinha enfiada nos meus cravos. Agora eu pergunto: isso tudo é realmente necessário? Pra quem ela ia dar esse “ele” que precisava ficar assim, desnudo? E esse sofrimento todo, por acaso quem vai comer, “ele”, vai ficar olhando se tem pêlo ou não? Mulher inventa cada coisa...



null

...tá doendo mas tô aguentando...

Publicado em 12 de dezembro de 2007 às 11:11 por estela

Glória...



null



Inferninho, alta madrugada no Rio de Janeiro, cais do porto. Navios chegando com estrangeiros e moças que ganham a vida proporcionando prazeres aos moços em troca das cifras. O que eu demoro um mês inteiro para ganhar, elas ganham em 02 horas. Moças como eu são raras na platéia, desfilam apenas as que têm o objetivo de faturar – e não de apreciar. Entrada livre com os porteiros, grupão de amigos homens, muitas moças lindas nos queijos com seus saltos altos em cima das mesas, cerveja paga pelos bofes, trânsito livre no banheiro onde elas trocam de roupa. Tudo que é necessário pra eu me sentir no lugar certo.


Logo os meus amigos entenderam que o meu natural desenrolar com as moças seria vantajoso para eles, então passei ao doce papel de negociadora. Ajudei, caridosa que só, a selecionar A moça para o grupo, e não poderia deixar de escolhê-la. Glória é alta, loira, cabelos encaracolados, doces olhos verdes, pernas lindas, estupenda. Atravessei as mesas no escuro e fui até ela, pensando em como eu era feliz por ser mulher, naquele meio e naquele momento.


Desenrolamos um papo ótimo. Glória além de linda era universitária de Direito, falava muito bem, foi taxativa: para quatro moços de uma vez o preço era R$ 500,00, por 1 hora – menos que isso representava prejuízo financeiro para ela, já que a casa estava lotada de estrangeiros e a madrugada prometia muitas cifras - o tempo urge, nesses casos. Os bofes choraram o quanto puderam, e eu ia transmitindo novas informações da negociação, atravessando as mesas e aproveitando para olhar e sorrir para as moças dançando, que de boba eu não tenho nada. Esperava a mais sorridente e receptiva acabar seu número e ir para o banheiro trocar de roupa para ir atrás e conferir o resto do material que só eu podia ver. Uh!


Não fui feliz nesta empreitada. Glória valia muito mais que R$ 500 mangos, certamente, mas os caras não quiseram pagar. Terminamos a negociação eu me desculpando, os meus amigos deram por encerrado o processo. Nesse estágio engatamos um papo descontraído eu e ela – isso sob os olhos da mesa dos meus amigos que se roíam de inveja de mim nesse momento. Estava eu do lado da moça mais perfumada, mais linda, mais tudo, enquanto eles, do outro lado, nada. Glória sorria feliz e ria comigo, aquela voz ao pé do ouvido foi bom, ah como foi.

.
.
.

- Ahn, pena que seus amigos não quiseram o programa...
- É verdade, eles são uns tontos isso sim!
- R$ 500 reais era o preço para eles, Estela.
- Tá, e?
- Com você eu vou agora, de graça.


Publicado em 07 de dezembro de 2007 às 14:05 por estela

BBB 8 : eu tenho medo.



null



Enfim, passada a tempestade de domingo, nada como ler coisas esdrúxulas e inúteis para povoar a mente e levantar o astral. Assim sendo, e como boa fã de coisas toscas que eu sou, dei um pequeno pulinho na página de candidatos ao BBB. Não poderia ter sido um mergulho mais apropriado. Aquilo é um hospício virtual, nesses momentos eu percebo o quanto eu sou normalzinha, boçal até. Sim, porque eu não faria nem 1/12 eles estão fazendo para entrar no programa, mas nem que a Globo me pagasse o prêmio da Loteria Federal. Tudo bem que um milhão é considerável, mas eu ainda prefiro ser pobrinha que me prestar a esses papéis vexaminosos. Bom, mas tem gente que nem liga, 154.046 gentes, pra ser exata. O raio do programa nem começou e já pupulam esquisitos por todos os lados. É por essas e outras que eu ando desenvolvendo uma certa fobia a humanos.

Nos perfis dos candidatos a filhotinhos de BBB há os famigerados vídeos, gravados diretamente das profundezas do inferno. Como se não bastasse, há um campo em que eles preenchem com uma breve descrição, um “quem sou eu”, e ainda por cima, elencados os motivos pelos quais os doidos desejam participar da casa (sic). É um besteirol sem fim, de uma gente que nunca lavou louça pra mãe, só pode ser isso. Muitos são absurdamente desprovidos de senso crítico, “semancol”, espelho em casa, alfabetização. Também né, para um negócio que aceitou a Solange, outros e outras do mesmo naipe sentem-se à vontade para concorrer. Quero deixar claro que eu nada tenho contra as pessoas humildes, mas pô, podiam fazer um esforcinho, pagar para alguém escrever a descrição no perfil, fazê-la acompanhada de um Aurélio do lado ou nem colocar nada, sei lá, acho que ficaria menos feio para quem tem pretensão de aparecer em rede nacional.

Recortei, na íntegra, algumas coisas que eu achei por lá e coloco aqui, para o deleite dos poucos leitores do Blérgh. Eu sei que a princípio podem parecer estapafúrdias demais para serem reais, mas juro, as declarações são dos próprios, sem tirar nem por, eu não seria tão criativa assim como eles. Não preciso nem citar as fontes afinal, pra onde quer que se passe os olhos, tirando algumas poucas exceções, o nível é esse aí mesmo. E dizem que a audiência é diretamente proporcional à quantidade de acéfalos do país. Concordo, em número e grau, porque gênero não é flexão, é processo derivacional. Yeah.

Agora fiquem com as pinceladas, boa sorte!



“eu sou simples humilde gosto de fazer amizades adora brincar sou muito estrovestida muito alegre”
“se as portas nao abrem para mim, eu arrombo as janelas”
”Uma pisciana de bem com a vida doidinha doidinha!”
“eu sou uma pessoa extrovertida, e gosto de brincalhona”
“Sou a Angelica tenho 19 anos, cabeleireira, quando decidi ser modelo descobri que minha vocação era cabelo”
“viver é escrever sem borracha”
“No coração sempre terão um ponto de acordo”
“Corro para alcançar o premio que o senhor mim reservou”
“Sou mineira, de 29 anos, de bem com a vida, gosto de malhar, viajar e conhecer pessoas que tenham conteúdo interior”
“Sou uma mulher alegre, descontraída, amo o que faço, gosto da natureza, não suporto falcidade,”
“çou uma pessoa legal, cimpatica, carinhoza,batalhadora, enfim... sou eu!!”
“sou o que sou e não quero alteração”
“sempre dei a volta por cima e sempre lutei para realizar os meus meritos.”


Publicado em 04 de dezembro de 2007 às 17:25 por estela

Acidente - de dentro



null




Infelizmente eu era passageira da composição que na manhã de hoje, na altura da estação do Méier, deixou o trilho lateral esquerdo e atravessou três trilhos. Eu nunca havia passado por uma situação de pânico coletivo em minha vida, ainda mais num acidente de via férrea, onde as proporções podem ser gigantes. Felizmente não foi tão desastrosa a situação, 30 feridos sem gravidade foram encaminhados ao Hospital Salgado Filho, próximo ao acidente, o pior é o trauma gerado em todos que lá estiveram, que assistiram, que estavam nas plataformas aguardando por outras composições.


Um trem que começa a dirigir-se para as pedras, batendo de um lado para o outro, parecendo claramente que ia virar. O barulho ensurdecedor de ferro, fumaça, as pessoas caindo uma por cima das outras. Muitos pediam calma, outros se desesperaram esperando aqueles segundos intermináveis até o trem parar. E não dá pra entender nada do que está acontecendo, a única coisa que fiz foi rezar, tentar me segurar no banco onde eu estava pra não voar, agarrar-me a meus pertences e esperar que tudo acabasse bem, enquanto as pessoas gritavam aterrorizadas. Quando começou a fumaça, muitos pensavam que havia fogo, que ia explodir, que íamos todos morrer ali, mas o trem parou, eu estava no segundo vagão, os homens desceram primeiro e foram segurando as mulheres e crianças pela mão, para pularmos o vão que se formou entre o trem e a plataforma da estação. Nem sei como eu pulei, porque as minhas pernas tremiam que nem vara verde.


Ao sair, havia já muitas pessoas pelo chão, todas muito nervosas, senhoras idosas choravam, ainda não acreditando no que havia sucedido. Podíamos todos ter morrido, inclusive eu, que estava nos bancos do lado exato em que o trem pendeu – eu seria no mínimo amassada por mais de 50 pessoas do vagão e ficaria por baixo dessa gente toda, e em contato com os ferros do trem, ficando seriamente ferida. Não me houve um arranhãozinho, mas tudo poderia ter sido uma grande tragédia. A única coisa que ficou foi o nervosismo, sentei num banco da estação e fiquei lá chorando por alguns minutos, pensando que tudo poderia ter se encerrado ali, e eu nunca mais veria minha mãe, nem meus amigos, nem ninguém, pior, eu nem ia ver o Corinthians bater no Grêmio domingo! :-( É, mas eu ainda estou aqui, e bem. Posso dizer que a partir de hoje tenho uma data de nascimento, e outra de renascimento.


Publicado em 30 de novembro de 2007 às 11:04 por estela

Fiel, em desespero



null



Desde pequetita eu sou corinthiana, na alegria e na tristeza. Posso dizer que nasci embalada pelo hino do clube, e mesmo nas piores crises, não consigo – e nem quero - mudar, minha essência alva e negra me faz passar por todos os infortúnios sempre levando no peito aquele orgulho de ser Fiel. Mas ontem, Jesus, meu pobre coração sofredor passou por maus bocados. Nem a torcida linda conseguiu fazer com que o time colocasse alguma coisa pra dentro do gol, e o desespero crescendo. É um absurdo ter que fazer continhas pra ver as possibilidades de se manter na série A. Ou ganhamos do Grêmio no domingo, ou eu vou assistir uma cena que meu pai certamente iria morrer de desgosto (que Deus o tenha no céu).

Olhando as carinhas dos torcedores ontem no Pacaembu - de desolação - eu sinto como cada um deles. Foram tantas coisas erradas na administração do time, tanta cagada, roubalheira, MSI, páginas policiais, que só podia dar nisso. E quem sofre é o torcedor, como sempre. Mas vamos lá, que o orgulho tá de pé, esperançoso como ele só por um milagre que tire o meu time do coração desta situação humilhante. No Olímpico será traçado o destino final, no jogo de vida e morte de domingo, e medo de ver pela TV o maior vexame da história para os alvinegros. E o pior é que, como todo torcedor, eu sei que não vou permanecer impassível, vou sim ver o jogo, acreditar até o último minuto, torcer, gritar, e toda aquela angústia que nos apossa nesses momentos, esperando pelo mísero gol da salvação. E ele vai sair. São Jorge há de nos proteger.


Vejam só a poeira que sobe pro céu
Balança a bandeira Gaviões da Fiel
Vejam só a poeira que sobre pro céu
Balança a bandeira Gaviões da Fiel
É alegria, muita fé e esperança
É uma chama que inflama o país
É o amor que floresce de criança
E desabrocha nesse canto tão feliz
É o campeão dos campeões
Eternemente em nossos corações
É o campeão dos campeões
Eternamente em nossos corações...

Publicado em 29 de novembro de 2007 às 10:53 por estela

Barra lateral.
Legal essa bagaça.

Ainda não é cadastrado? Cadastre-se agora!