
Pessoas normais, adultas, vacinadas e contribuintes do INSS em geral, pensam que a cama é lugar para no máximo duas pessoas compartilharem. Não concordo totalmente com esta afirmativa, entretanto, a prática do sexo excedendo este quantitativo é deveras complicada. Requer talento, administração do tempo e entusiasmo elevado ou vira um conglomerado humano desconexo. Falo-o pois tive duas experiências congêneres, uma que deu certíssimo e outra que deu meio errado. Nos últimos dias esse assunto habita misteriosamente meu subconsciente, talvez um sinal do que eu ainda não fiz, e olha que eu já fiz bastante coisa nessa vida, mas 2008 tá aí e sempre é tempo.
Homem/moça e homem: iniciaremos pelo descritivo da situação plenamente satisfatória.
Nos idos de minha bissexualidade, dois amigos, um hotelzinho fuleiro, nada o que fazer na madruga, acabando de sair de um inferninho, os ânimos exaltados, a receita perfeita. Os dois em questão eram dois amigos meus, porque ninguém come inimigo, claro, um deles queria o outro, o outro não queria o um e eu queria os dois, com níveis diferentes de envolvimento. O C. foi mais caridoso e enamorado, o R. foi pá pum. Tirando o fato de que rolaram algumas estranhezas entre os meninos, um tentando e o outro rosnando com cara de nojo, na parte que me diz respeito posso dizer que fui muito animada. Tanto que R. não compareceu ao trabalho no dia seguinte, dizia-se estafado e que “eu tinha acabado com ele”. Que gente mais devagar, Deus meu. Lembro que os ladrilhos do banheiro eram um de cada cor e de diferentes estampas, o perfeito mosaico do mau gosto decorativo. De resto, sobram-me alguns flashes efusivos, até porque minhas condições etílicas eram elevadas naquele momento.
Moça/Moça e Moça: progesteronas confusas em série.
Isso foi numa viagem minha à SP. Sinto-me livre demais em viagens e sempre acabo fazendo algumas merdas, até aí normal. M. é linda, eu superafim, e ela levou outra M., mais novinha, mas que de iniciante não tinha nem o dedo mindinho. Como íamos, eu e a primeira M. para um lugar mais aconchegante, a outra M. teve que vir junto, até porque eu não teria coragem de deixá-la ao relento, ao Deus dará. Um hotel também fuleiro, no centro de Sampa, algumas cervas, eu tinha ares de menino naquela época, inclusive vestia uma calcinha que era praticamente uma cueca box, branquinha, enfim, eu posso dizer que fui o homem do trio. Além de trabalhoso o negócio, houve momentos em que eu não sabia mais em quem estava, era uma, era outra, eram duas, isso sem tempo para concatenar as coisas. Na verdade ficou um tanto impessoal, não rolou um trabalho focado, até porque o meu poder de concentração tinha ficado perdido em alguma daquelas tulipas no bar que antecedeu o momento, e minhas maiores merdas são feitas com o álcool como pano de fundo. Tá, foi legal, mas eu gostaria de ter tido mais tempo para me dedicar, as moças saíram felizinhas e eu com um quê de tá faltando alguma coisa. Mas vale a experiência.
Moça/ Homem e moça: se existe a perfeição, ei-la.
Infelizmente não posso contar que já tenha feito isso, e este é aliás, o objeto de reflexão do momento. Muitos moços sonham com o dia perfeito em que quatro mãos, quatro pernas e outras coisas duplas dividam o mesmo lugar na cama com eles, posso dizer que entendo esses anseios, até porque, em perfeita sintonia, um trio desses pode ter efeito devastador. Duro é encontrar gente sem frescura e disposta, três pessoas que queiram-se e que estejam mais ou menos igualmente a fim. Um dia eu chego lá. Candidatos e candidatas, hora de encaminhar suas fichas para seleção.
Publicado em 28 de dezembro de 2007 às 18:38 por estela