
Ah sim. Fui acordada hoje pela notícia de que a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro decidiu tirar das mãos dos policiais os seus fuzis. E trocá-los por carabinas. Levando-se em conta que um fuzil causa estrago em média até a distância de dois quilômetros do alvo, e a carabina à 400m, fica mais difícil do policial matar alguém sem saber quem é, a não ser que ele seja bem míope.
Acho isso de uma lindeza ímpar. Principalmente pelo fato de que os fuzis serão extintos das ruas, mas poderão ainda ser usados em operações nas áreas de risco. E se eles, da Secretaria de Segurança, assumem com esta determinação que há policiais despreparados para portar tais armamentos – por isso mudam o poder de alcance do estrago – permitem ao mesmo tempo que tais policiais usem à vontade seu armamento nas áreas críticas, ou seja, que se foda quem mora na favela, pode tomar de fuzil à vontade. Grandes merda se morrer um ou três, depois escrevem lá no jornal que o morto era do tráfico, mesmo se não fosse, só pra ficar bunitinho.
Treinar os caras para usar tais armas? Treinar os caras com táticas dignas e prudentes em suas operações? Aí não, disso ninguém fala. A bala perdida não pode acontecer em Ipanema, no asfalto dos turistas e da classe privilegiada, mas pode tranquilamente varar o barraco do cidadão no Complexo do Alemão. Acho um barato esse raciocínio.
Publicado em 31 de julho de 2008 às 12:46 por estela
pra panema e copacabana tem que valer o clássico "você sabe com quem está falando?"