Blérgh!

Crochê.



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Sim, eu posso construir coisas. Imagino, planejo, trabalho os pontos, vejo o resultado se materializar. As pessoas gostam das coisas que eu faço. Ficam espantadas com a desenvoltura com que trato as linhas, monto os gráficos, prego miçangas, contas e paetês brilhantes. O resultado nem sempre é estupendo, mas como faço crochê desde criança, às vezes os trabalhos ficam realmente muito bons, sem falsa modéstia, e eu gosto deles. Eles me ocupam e esvaziam a mente. Crochetando eu anulo todo o resto e tenho a sensação terápica e rara de construir.


A vida é tão somente isso: tecer. Esperar que se alcance o melhor resultado. Esconder as emendas das linhas no avesso do trabalho porque os nós, e os defeitos, não causam uma boa impressão aos outros - ninguém gosta de coisas que foram emendadas apenas pelo ônus da continuidade. É um trabalho de recuperar a paciência perdida, aceitando que ainda há muito que se fazer até que a peça esteja pronta em suas mãos, e até que você possa mostrar aos outros, com orgulho, a sua finalização.


Às vezes a linha embola. Às vezes a agulha escapa da mão e mergulha sozinha no piso da sala, como se recusasse sua função de trabalhar os pontos. Aí eu retomo, estou no comando. Quase o fim da carreira de pontos altos, e é bom demais chegar lá na beirada, dobrar a esquina da peça. O recomeço às vezes é em ponto baixo, ponto alto, ponto baixo. O tempo todo assim, na vida e nas peças de crochê. O trabalho em ponto baixo não rende, mas mesmo ele, de ponto em ponto cresce também, com mais dificuldade, é verdade. E mais demora.



Ponto alto do dia de hoje: crochetar e esquecer as preocupações.
Ponto baixo do dia de hoje: preocupações que voltam assim que eu largo o novelo de linha.


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Publicado em 04 de agosto de 2008 às 14:16 por estela

Eleições 2008... uêba!



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Eleição em vista é sempre um período lúdico em minha pacata existência. É um negócio tão decadente e descabido que eu me detenho a rir – é o que me resta - do que eles chamam de engajamento da massa popular, democracia, cidadania e todas essas -ias sem fim. O alimento para meus acessos de riso pelo menos está garantido, neste período festivo de congraçamento. O curioso é que as informações risíveis estão sempre nas páginas oficiais – ou seja – não é humor, é Eleição, por incrível que pareça.


O que eu gosto mesmo são os cãodidatos. Fico sempre impressionada com suas alcunhas e seus discursos, os fenomenais slogans e jingles de campanha. Neste ano feliz, por exemplo, há trocentos e não sei quantos malucos espalhados pelo Brasil afora concorrendo às vagas. Vereadores então, estes costumam ser os mais engraçados do pedaço. Pouca grana para campanha os faz verdadeiros mártires, e alguma coisa eles têm que bolar para sobressair entre os demais, e como geralmente erram na mão, o meu contentamento é supremo. Naquelas localidades Deus-me-livre-e-guarde, há criaturas dignas de respeito. Porque não basta ser candidato, tem que vir com um apelidinho simpático, revelador, identificador. É assim que surgem as alcunhas mais estapafúrdias do mundo, e é nesse momento que eu dava tudo pra morar nessas cidades. Dizem que essas alcunhas aparecem na urna quando se digita o número do candidato. Até que eu conseguisse parar de rir para configurar o voto, levaria um tempo considerável. Tempo alegre. E é isso que eu quero em minha vida. rs.


Consegui decifrar o processo de criação que envolve essas alcunhas tão belas. Tudo tem um foco. Alguns cãodidatos resolvem apelar para a meiguice e escolhem um apelido fofinho. É o caso do Pintinho – PRTB; o Rozico, o Tatico, o Titico, a Gilda Nogueira, a “Amor”, e o que dizer do ilustre Carlos Alberto Januário da Silva - PHS, o popular Chú? Gente, quem não votaria no Chú? Fofo demais, uma Hello Kitty pra ele agora. Outro processo para se criar alcunhas passa pela composição de nome + de/da + elemento identificador. Para este caso temos o Marcão da Caçamba, o Pintinho do Matadouro, o Neném do Boi, o Naná do Rojão, a Nice da Reforma e o Nino do Micro-ônibus. Simples e prático. Há também os que apelam para o estômago dos eleitores, procurando trazer-lhes lembranças degustativas felizes. Aí temos o Sr. Antônio Alberto, o querido Toinho Pastel, o Fabinho do leite, outro Antônio, o Três Côco (sim, no singular mesmo), e o Zé mamão, ótimo para prisão de ventre. Deu até fome agora.


Alguns são tão escabrosos que me fogem ao raciocínio, mas isto se deve apenas a minha total incapacidade de penetrar em seus mundos tão particulares. O Edmilson Casa Véia, por exemplo. E a tal “Vânia, filha do Vavá do Bode”? É difícil minha gente. Carlos Armando, por exemplo, é o Carlinho do pelado – PSB. Deve ter seu significado, deve ter. Outros queridos ilustres, sabedouros de que sua campanha irá para o brejo, aproveitam a oportunidade dos holofotes para divulgar seus pequenos comércios, um jabazinho básico. Este é o caso da Dulcicleide - PTN, a Kekeu Fotos; o José Edson, Baixinho da Eletrônica ou o José Remilson, o Pelé da Parabólica. E há muitos outros, e como há, é que eu não tive tanta paciência assim pra procurar. Temos ainda a presença de vários bichinhos, o Pingüim, o Paca, e até o Totó, Antônio Rodrigues Félix – PSDB. Só pra finalizar o quadro de esquisitices, alguns nomes duvidosos. Veja bem se você votaria em Cristiano Oliveira, a famosa Kika? Ou o Alex Sandro, a Karol Furacão? Esses nomes realmente passam credibilidade.

Breve eu recolho outros mais. A lista é grande meus caros, preciso de tempo hábil para analisá-la com a acuidade que ela merece. Essa lista do TSE é um manancial. Rs.


Publicado em 01 de agosto de 2008 às 17:09 por estela

a renegada.



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O Tipos sempre cagou pros meus anseios. Também né, quer ter anseios vá pra outro lugar, caráio. Mesmo assim, conto a vocês o meu causo: desde que aqui comecei a colocar os meus caracteres, sempre quis mudar meu layout. Já fiz diversas perguntas perdidas por aí e nenhuma resposta contundente. Eu e o Blérgh não queremos ter essa cara monótona todo o tempo, esse ar blasé, sem sal, sem luxo, eu tô no SUS dos blogs, meu povo. Convenhamos, essa vista pobrinha não combina nem com o título, que dirá com o resto deste espaço. Consegui cavar de alguém que estava em implantação uma tal de Layout Machine, que até agora não rolou. Alguém sabe me dar qualquer informação neste sentido? Como vocês podem observar, aparência é um negócio que eu prezo. E mudo o tempo inteiro também.


Outra cagada torrencial foi a minha tentativa de inclusão de meus banners no Tipos Sortidos. Ninguém me deu a menor pelota. Postei lá no outdooronline, mandei e-mail educadinho pro Moraes [que se escafedeu, acho eu] e nenhum sucesso. Claro que meus banners não são o primor da criação artística, mas ora bolas, eu me sinto renegada em não ter esse espaço de 400 por 130 px. Eu quero. Eu também faço parte dessa coisa toda. Quem é o patrão disso aqui, afinal? Seja lá quem for, piedade e comiseração, sou uma tipiana sempre presente, tenho o meu valor [afe, ficou horrível isso, simata Estela]. Eu rezo todo dia pra São Cipriano, um dia ainda abro o Tipos e dou de cara com um banner meu, nem que seja em 2050.


E como meus banners nunca saíram do anonimato, nem da caixa de e-mails do Moraes, ficam eles aqui sob protesto, que eu tô pura rebeldia rock’n’roll hoje. Quero saber onde é o SAC do Tipos, e se vier moça de telemarketing eu mato, tô descontrol. Pronto, protestei.




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Publicado em 01 de agosto de 2008 às 11:43 por estela

Barra lateral.
Legal essa bagaça.

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