Blérgh!

Crochê.



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Sim, eu posso construir coisas. Imagino, planejo, trabalho os pontos, vejo o resultado se materializar. As pessoas gostam das coisas que eu faço. Ficam espantadas com a desenvoltura com que trato as linhas, monto os gráficos, prego miçangas, contas e paetês brilhantes. O resultado nem sempre é estupendo, mas como faço crochê desde criança, às vezes os trabalhos ficam realmente muito bons, sem falsa modéstia, e eu gosto deles. Eles me ocupam e esvaziam a mente. Crochetando eu anulo todo o resto e tenho a sensação terápica e rara de construir.


A vida é tão somente isso: tecer. Esperar que se alcance o melhor resultado. Esconder as emendas das linhas no avesso do trabalho porque os nós, e os defeitos, não causam uma boa impressão aos outros - ninguém gosta de coisas que foram emendadas apenas pelo ônus da continuidade. É um trabalho de recuperar a paciência perdida, aceitando que ainda há muito que se fazer até que a peça esteja pronta em suas mãos, e até que você possa mostrar aos outros, com orgulho, a sua finalização.


Às vezes a linha embola. Às vezes a agulha escapa da mão e mergulha sozinha no piso da sala, como se recusasse sua função de trabalhar os pontos. Aí eu retomo, estou no comando. Quase o fim da carreira de pontos altos, e é bom demais chegar lá na beirada, dobrar a esquina da peça. O recomeço às vezes é em ponto baixo, ponto alto, ponto baixo. O tempo todo assim, na vida e nas peças de crochê. O trabalho em ponto baixo não rende, mas mesmo ele, de ponto em ponto cresce também, com mais dificuldade, é verdade. E mais demora.



Ponto alto do dia de hoje: crochetar e esquecer as preocupações.
Ponto baixo do dia de hoje: preocupações que voltam assim que eu largo o novelo de linha.


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Publicado em 04 de agosto de 2008 às 14:16 por estela

Barra lateral.
Legal essa bagaça.

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